Socióloga, defensora dos direitos humanos e vereadora do Rio de Janeiro, Marielle levou para a política institucional as demandas de mulheres, pessoas negras e moradores de favelas e periferias.
Quem participa das decisões políticas? Quais experiências são consideradas na construção de políticas públicas? A trajetória de Marielle Franco convida a refletir sobre essas perguntas e sobre as barreiras que ainda dificultam a participação da população negra nos espaços de poder.
Marielle abre o especial Vozes Negras da Democracia, do Instituto DACOR. A série destaca pessoas negras que, dentro e fora das eleições, contribuíram e contribuem para o enfrentamento ao racismo e a defesa de direitos no Brasil.
Da Maré à Câmara Municipal do Rio de Janeiro
Mulher negra, mãe e cria da favela da Maré, Marielle Franco foi socióloga e mestre em Administração Pública. Sua trajetória reuniu formação acadêmica, participação em movimentos sociais e atuação na defesa dos direitos humanos. Antes de se tornar vereadora, coordenou a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
Eleita em 2016, assumiu uma cadeira na Câmara Municipal do Rio de Janeiro em 2017. Sua atuação colocou em pauta o combate ao racismo, os direitos das mulheres e as condições de vida nas favelas e periferias, aproximando o debate institucional das demandas desses territórios.
Sua presença também provocava uma reflexão sobre quem pode formular propostas, fiscalizar o poder público e definir prioridades. Mulheres negras e moradores de favelas precisam participar dessas decisões como sujeitos políticos, com conhecimento e propostas para a sociedade.
Representatividade e participação nas decisões
A trajetória de Marielle ajuda a compreender por que a representatividade importa para a democracia. As experiências de quem ocupa um cargo público podem trazer outras perspectivas sobre os problemas sociais e sobre as respostas necessárias para enfrentá-los.
Mas ampliar essa participação exige mais do que reconhecer a importância da diversidade. É preciso enfrentar as barreiras que dificultam o acesso à política e garantir condições para que pessoas negras possam exercer seus mandatos, apresentar propostas e ter sua atuação respeitada.
Nesse debate, cabe perguntar: quem encontra apoio para entrar na vida política? Quem tem suas propostas ouvidas? E quem enfrenta obstáculos para permanecer nesses espaços?
Violência política e defesa dos direitos humanos
Em 14 de março de 2018, Marielle Franco foi assassinada no Rio de Janeiro. O motorista Anderson Gomes também foi morto no atentado. O crime interrompeu seu mandato e tornou ainda mais urgente o debate sobre a proteção de quem atua na defesa dos direitos humanos.
Discutir democracia também significa discutir as condições de segurança para a participação política. Ameaças e violências restringem direitos e comprometem a possibilidade de diferentes grupos sociais influenciarem os rumos do país.
Um legado que inspira a participação política
Criado por sua família, o Instituto Marielle Franco atua para inspirar, conectar e fortalecer pessoas negras, LGBTQIA+ e periféricas na transformação da sociedade.
Conhecer a trajetória de Marielle é reconhecer sua contribuição para a defesa de direitos e manter em debate as questões que marcaram sua atuação. Entre elas, o direito de pessoas negras participarem das decisões que afetam suas vidas e suas comunidades.
O especial Vozes Negras da Democracia convida a conhecer essas histórias e a refletir sobre os caminhos para uma participação política mais plural, com oportunidades, segurança e poder de decisão.
Quais outras vozes negras da democracia merecem ter suas trajetórias contadas? Deixe sua sugestão nos comentários.
