O Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência.
Desse total, aproximadamente:
6,4 milhões são pardas
1,8 milhão são pretas
Somadas, pessoas pretas e pardas representam cerca de 56% dessa população.
Quando o IBGE analisa cada grupo racial separadamente, a deficiência está presente em:
9,5% das pessoas pretas
8,9% das pessoas pardas
8,7% das pessoas brancas
A diferença percentual parece pequena, mas precisa ser observada junto às desigualdades que marcam o acesso à saúde, à educação e à renda.
Onde racismo e capacitismo se encontram
Uma pessoa negra com deficiência pode enfrentar a falta de acessibilidade e, ao mesmo tempo, ter suas necessidades desconsideradas pelo racismo. Isso interfere no acesso ao diagnóstico, no atendimento recebido, na trajetória escolar, nas oportunidades de trabalho e no reconhecimento de sua identidade.
Em 2022, o rendimento médio das pessoas negras com deficiência foi 36,2% menor que o das pessoas brancas com deficiência.
O resultado reúne dois fatores que já produzem desigualdades no mercado de trabalho brasileiro: raça e deficiência.
A diferença também aparece na educação
Entre as pessoas com deficiência com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo era de:
16,3% entre as brancas
26,7% entre as pretas
24,5% entre as pardas
Mesmo dentro da população com deficiência, as condições de acesso e permanência na educação não são iguais.
Ainda faltam informações fundamentais
Os levantamentos nacionais já permitem cruzar raça e deficiência em temas como educação, renda e trabalho. Em áreas mais específicas, porém, ainda faltam estatísticas sobre diagnósticos, tratamentos, acesso a cirurgias e condições de saúde de pessoas negras com determinados tipos de deficiência. Sem essas informações, parte das desigualdades permanece fora das políticas públicas.
A reportagem “Nós, os invisíveis”, da Radis/Fiocruz, apresenta histórias de pessoas negras com síndrome de Down e de suas famílias.
O conteúdo aborda racismo, demora no atendimento, falta de informações e ausência de estatísticas sobre essa população.
O que precisa mudar
Políticas de inclusão precisam considerar as desigualdades raciais desde o diagnóstico até o acesso à educação, à saúde e ao trabalho. Isso também exige coleta e divulgação de dados mais detalhados, acessibilidade na comunicação e participação de pessoas negras com deficiência na elaboração das decisões.
Pessoas negras com deficiência não podem aparecer apenas como objeto de pesquisas, campanhas ou políticas públicas.
Elas precisam participar da construção das respostas, ocupar os espaços de decisão e ser reconhecidas em toda a sua diversidade.
Fontes:
Censo 2022, IBGE
PNAD Contínua 2022, IBGE
Tabela 9376 do SIDRA/IBGE
