Teatro negro brasileiro: 7 grupos e coletivos para conhecer e acompanhar

Quando pensamos em teatro brasileiro, quantos grupos negros vêm à nossa cabeça?

O teatro negro brasileiro reúne diferentes histórias, linguagens e formas de criação. De São Paulo a Florianópolis, grupos e coletivos vêm construindo trabalhos que ampliam a presença e a autoria negra nas artes cênicas.

Nesta edição do DACOR Indica, reunimos sete grupos e coletivos de teatro negro para conhecer, acompanhar e explorar seus trabalhos.

Cia Os Crespos | São Paulo (SP)

Criada em 2005 a partir do encontro de artistas negros na Escola de Arte Dramática da USP, a Cia Os Crespos pesquisa questões de negritude, racismo e identidade no teatro e no audiovisual.

A atuação da companhia inclui espetáculos, filmes, intervenções e debates. O grupo também publica a Legítima Defesa: uma revista de teatro negro, reunindo criação artística e reflexão sobre a presença negra nas artes.

Coletivo Negro | São Paulo (SP)

Criado em 2008, o Coletivo Negro pesquisa as relações raciais por meio da linguagem poética e cênica.

O grupo surgiu a partir de uma pesquisa sobre a invisibilidade social da população negra e reúne artistas que transitam entre atuação, dramaturgia e direção. A criação compartilhada é uma das características de seu trabalho.

Companhia Negra de Teatro | Belo Horizonte (MG)

Fundada em 2015, a Companhia Negra de Teatro constrói narrativas a partir das experiências e subjetividades de seus artistas, com atenção à autoria negra e às relações sociais.

No repertório do grupo, temas como abandono, afeto e desigualdade ganham elaboração teatral.

O nome da companhia também estabelece uma ligação com a história do teatro negro brasileiro: é uma homenagem à Companhia Negra de Revistas, criada em 1926.

Teatro Negro e Atitude | Belo Horizonte (MG)

Desde 1994, o Teatro Negro e Atitude pesquisa manifestações da cultura afro-brasileira e suas relações com a criação teatral.

Congado de Moçambique, Capoeira de Angola e Candomblé de Nação Ketu estão entre as referências de sua investigação sobre corpo, musicalidade e atuação. Esses saberes participam da construção da linguagem do grupo e da formação de artistas.

Coletivo Bonobando | Rio de Janeiro (RJ)

Criado em 2014 a partir de uma residência artística na Penha, o Coletivo Bonobando aproxima o teatro das experiências e práticas culturais das periferias cariocas.

A criação coletiva e a relação com os territórios orientam seu trabalho, que ocupa ruas, becos, praças e teatros. A cidade, seus encontros, conflitos e modos de viver também se tornam matéria de criação.

Coletivo Preto | Rio de Janeiro (RJ)

Criado em 2016, o Coletivo Preto desenvolve espaços para artistas negros escreverem, dirigirem, produzirem e interpretarem suas próprias narrativas.

Entre suas iniciativas está o Escrita Preta, um ciclo de leituras dramatizadas com dramaturgos, atores e diretores negros. Sua trajetória também inclui a parceria com a Companhia de Teatro Íntimo em Negra Palavra: Solano Trindade, que articula poesia, corpo e música.

Coletivo NEGA | Florianópolis (SC)

O Coletivo NEGA surgiu em 2010, a partir de um projeto de extensão da Udesc, diante da pouca presença negra na universidade.

As vivências de seus integrantes alimentam a criação de narrativas que questionam o racismo e os estereótipos. Sua trajetória inclui apresentações em escolas, comunidades periféricas, presídios e quilombos, ampliando os espaços de encontro entre artistas e público.

Diferentes caminhos para o teatro negro brasileiro

Os sete grupos mostram diferentes formas de criar e ocupar a cena. Suas pesquisas passam pela autoria negra, pelas relações raciais, pelos territórios, pelas culturas afro-brasileiras e pelas experiências de seus artistas.

Conhecer esses trabalhos também é uma forma de ampliar o olhar sobre a produção teatral brasileira e descobrir artistas, companhias e coletivos que constroem suas próprias narrativas em diferentes regiões do país.

A história do teatro negro também está no podcast A Voz DACOR

A Companhia Negra de Teatro também nos leva a uma experiência fundamental da história do teatro negro brasileiro: a Companhia Negra de Revistas, criada em 1926.

O podcast A Voz DACOR retoma essa trajetória no episódio dedicado à companhia e ao espetáculo Tudo Preto. O episódio já está disponível nas plataformas de áudio.

Conheça os grupos, acompanhe seus trabalhos e compartilhe esta indicação.

Ouça o novo episódio de A Voz DACOR na sua plataforma de áudio preferida: