Violência contra a mulher negra: mulheres negras são as maiores vítimas de violência no brasil

Agosto é marcado pelo Agosto Lilás, uma campanha nacional de conscientização e mobilização pelo fim da violência contra a mulher. Mais do que um símbolo no calendário, esse período é um convite para ampliar vozes, reforçar informações e cobrar ações efetivas de proteção e justiça.

Mas, ao falarmos de violência, é impossível ignorar uma realidade dura e persistente: as mulheres negras são as principais vítimas no Brasil.

No Brasil, a violência tem cor:

Segundo o Atlas da violência 2025, mulheres negras são a maioria entre as vítimas de agressões e assassinatos, reflexo do racismo estrutural e da desigualdade social.

O risco de uma mulher negra ser assassinada é 1,7 vezes maior do que o de uma mulher não negra.

Em 2024, 63,6% das vítimas de feminicídio eram negras, enquanto 35,7% eram brancas.

Uma pesquisa do DataSenado e Nexus, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência revelou que 85% das mulheres negras que sofreram violência doméstica ou familiar e não têm renda suficiente para se manterem sozinhas precisam conviver com seus agressores em casa. Mesmo diante da violência, apenas 30% das mulheres negras buscaram atendimento de saúde e só 27% solicitaram medidas protetivas.

A vulnerabilidade econômica aumenta a permanência no ciclo da violência: sem renda e sem apoio, muitas não conseguem denunciar ou sair de casa.