Colorismo: entenda mais sobre a discriminação racial baseada na cor da pele

O colorismo é uma forma de discriminação que acontece dentro de grupos racializados, em que pessoas com pele mais clara recebem privilégios sociais em comparação às pessoas de pele mais escura. Não é apenas uma questão estética: ele organiza desigualdades e influencia oportunidades, representatividade e relações de poder.

atenção! Entender que pessoas negras são tratadas de formas diferentes pelo fato de serem retintas ou terem a pele mais clara não significa que negros de pele clara não sofram racismo.

Definição básica

A ideia de colorismo está relacionada à compreensão de que pessoas negras são tratadas de forma diferente conforme a tonalidade de sua pele e outros traços físicos, por exemplo, textura do cabelo, formato do nariz, espessura dos lábios, etc.

Origem do termo

O termo “colorismo” foi popularizado por Alice Walker, escritora e ativista norteamericana, para descrever como a cor da pele influencia oportunidades e tratamento social dentro da mesma população racializada.

Como funciona?

O colorismo privilegia pessoas de pele mais clara em relação às de pele mais escura, segregando ainda mais a população negra.

Exemplo: pessoas de pele mais clara podem ter mais acesso a oportunidades sociais e econômicas que uma pessoa retinta.

Relação com o Racismo

Segundo a pesquisadora Alessandra Devulsky, o colorismo funciona como um braço articulado do racismo, reforçando privilégios e desigualdades em sociedades racializadas.

Ele estrutura hierarquias mesmo em países com maioria negra, como o Brasil.

Nada adianta criar espaços para negros se, nesses espaços, continuar o mesmo gradiente de cores de acordo com o arquétipo de superioridade branca. É preciso destruir o critério de superioridade branca para poder falar de fato de igualdade racial.”

Alessandra Devulsky em entrevista a Gênero e Número

No Brasil

No contexto brasileiro, a lógica do colorismo cria uma pigmentocracia: um sistema social que dá diferentes níveis de valor e acesso a direitos e recursos de acordo com a intensidade do pigmento da pele, uma herança direta da colonização e da escravidão.

As consequências do colorismo vão além da aparência: ele pode influenciar acesso a emprego, renda, tratamento social, representação na mídia e autoestima, reforçando desigualdades que se refletem em estatísticas sociais mais amplas.

DACOR Indica

Colorismo, de Alessandra Devulsky
Uma leitura essencial para entender como as hierarquias de cor operam dentro de sociedades racializadas. A obra mostra que o colorismo não é apenas uma preferência estética, mas um fenômeno estrutural ligado ao racismo, que influencia oportunidades, representação, autoestima e relações de poder no Brasil.

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Tornar-se negro, de Neusa Santos Souza

A obra analisa como o racismo afeta profundamente a construção da identidade negra no Brasil, mostrando que a pressão para se adequar a padrões brancos leva muitas pessoas negras a negar a própria história, cultura e aparência, causando sofrimento psíquico.

Quando me descobri negra, de Bianca Santana

Bianca Santana reúne relatos pessoais e de outras pessoas negras para mostrar como o racismo estrutural no Brasil molda a percepção racial, narrando sua própria jornada de autorreconhecimento — marcada por experiências cotidianas de discriminação — e destacando a importância de afirmar e valorizar a identidade negra como forma de resistência e empoderamento.