Você sabia que a maioria das brasileiras e brasileiros não se reconhece como latinos? Apesar de vivermos na América Latina, apenas 4% da população do Brasil afirma se identificar como latino-americana, segundo pesquisa do Instituto de Relações Internacionais da USP. Mas essa percepção está longe de ser uma coincidência.
Muitas brasileiras não se reconhecem como latinas.
Ao longo do tempo, ganhou força a ideia de que o Brasil é “diferente” do restante da América Latina. Essa narrativa foi alimentada por fatores como: o idioma português, o passado monárquico e o desejo de se aproximar da Europa. Mas ser latina não é só falar espanhol
De onde vem o termo “América Latina”?
Segundo o CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina, a expressão “América Latina” surgiu no século XIX, em meio a disputas por influência entre potências europeias, e foi usada por intelectuais para unir os países do sul do continente sob uma identidade comum frente à dominação europeia e ao imperialismo dos EUA.
Mais tarde, a inclusão do termo “e Caribe” buscou tornar visíveis os países e territórios da região historicamente marginalizados.
Mas afinal, o Brasil é parte da América Latina?
A América Latina inclui países da América que falam línguas latinas (como português, espanhol e francês). O Brasil, por falar português, é um país latino-americano.
O Brasil é o único país da América Latina que fala português.
Isso reforça a sensação de separação em relação aos demais países hispano-americanos. No entanto, o termo “latino” refere-se a pessoas com raízes culturais e linguísticas da América Latina, onde línguas derivadas do latim, como espanhol e português, são faladas.
Reconhecer-se como mulher latina é ampliar o horizonte. É perceber que fazemos parte de uma região rica em diversidade, cultura, arte e resistência. Também é um passo importante para fortalecer redes de solidariedade entre mulheres de diferentes países, especialmente num continente marcado por tantas lutas comuns.