Antes do Bando pisar nos palcos, a cena já era disputada por mãos negras. Do pioneirismo da Companhia Negra de Revistas (1926) ao impacto do Teatro Experimental do Negro (1944), o caminho vinha sendo aberto.
Em 1990, direto de Salvador, o Bando assumiu o palco para escrever o seu próprio capítulo nessa história.
O Bando de Teatro Olodum nasceu em Salvador, em 17 de outubro de 1990, a partir de uma parceria entre o Grupo Cultural Olodum e os artistas Márcio Meirelles, Chica Carelli, Maria Eugênia Millet e Leda Ornelas.
Sua criação respondeu à necessidade de ampliar a presença e o protagonismo de artistas negros no teatro brasileiro.

Desde o início, o Bando busca construir uma linguagem teatral que reflita a cultura, a identidade e o cotidiano da população negra brasileira. Atrizes e atores participam de maneira autoral dos processos criativos, da escolha dos repertórios à construção das personagens e narrativas. Em cada espetáculo, as tradições afro-brasileiras encontram o teatro contemporâneo para pautar racismo, memória, desigualdade e a potência de nossas existências.

A atuação do Bando não ficou restrita aos palcos convencionais. Ao longo de sua trajetória, o grupo apresentou trabalhos em teatros, ruas e comunidades, aproximando as artes cênicas de públicos historicamente afastados dos grandes circuitos culturais. As Oficinas de Performance Negra são uma das marcas dessa trajetória.
Por meio do teatro, da música, da dança e de atividades em escolas públicas, o Bando contribui para a formação de jovens artistas e para a valorização da identidade e da cultura negra. Em 2026, a iniciativa reúne cerca de 100 jovens em três núcleos de Salvador.
Cada geração encontrou formas próprias de transformar o teatro em espaço de criação, formação e afirmação da identidade negra.
No Bando, essa construção acontece por meio de uma linguagem coletiva, ligada à cultura afro-brasileira, ao território e às questões do presente.
É nessa trajetória que nasce “Erê”. Criado originalmente em 1996 como “Erê pra Toda Vida/Xirê”, o espetáculo surgiu como um manifesto em denúncia à Chacina da Candelária e da violência contra crianças e adolescentes negros. Trinta anos depois, “Erê” retorna aos palcos reunindo diferentes gerações do Bando para reafirmar a defesa das vidas negras.

- Quando: 19 e 26 de setembro (sábados), às 19h
- Onde: Centro Cultural Plataforma (Praça São Brás, s/n — Plataforma, Salvador/BA)
- Ingressos: Entrada gratuita (retirada na bilheteria até 1h antes do espetáculo)
Nas próximas semanas, o podcast A Voz DACOR retoma duas experiências fundamentais do teatro negro brasileiro.
Primeiro, a Companhia Negra de Revistas e o espetáculo “Tudo Preto”. Depois, Abdias do Nascimento e o Teatro Experimental do Negro.
Acompanhe!
