Segundo o Censo 2022, o Brasil abriga mais de 1,3 milhão de quilombolas, distribuídos em 1.696 municípios. Esses números revelam que os quilombos não são lembranças do passado, mas territórios vivos que seguem ensinando sobre igualdade e resistência.
Hoje, percorremos diferentes regiões do Brasil para conhecer como essas comunidades mantêm suas identidades por meio da agricultura familiar, do artesanato, das celebrações religiosas e das práticas culturais que organizam o cotidiano. Em cada território, a história não é apenas lembrada, ela é vivida.
QUILOMBO BOA VISTA DO CUMINÃ – Oriximiná (PA)

Foto: Márcio Garcia/Arquivo pessoal
Localizado às margens do rio Erepecuru, o Quilombo Boa Vista do Cuminã tem origem no período colonial, formado por pessoas negras que fugiram da escravidão e se estabeleceram na região amazônica. A comunidade preserva saberes ligados à floresta e à ancestralidade por meio da Festa da Ramada, celebração tradicional de fé e cultura que inclui ladainhas, rituais de devoção e um café da manhã coletivo com alimentos da roça.
QUILOMBO MESQUITA – Cidade Ocidental – (GO)

Foto: Defensoria Pública da União – DPU
A comunidade surgiu no século XVIII e desempenhou um papel fundamental na modernização do país, pois muitos de seus moradores foram trabalhadores na construção de Brasília. É famosa pela sua marmelada artesanal, que segue uma receita ancestral passada de geração em geração. Além do sabor, a fé é o que move o lugar: a Festa de Nossa Senhora da Abadia é o momento em que as famílias se reúnem para agradecer e celebrar a herança de seus antepassados com rezas e muita união.
Quilombo Mata Cavalo – Nossa Senhora do Livramento (MT)

Foto: Leticia Chaves
Fundado ainda no período colonial, o Quilombo Mata Cavalo mantém o Siriri e o Congo como expressões culturais centrais, que se conectam a festas e práticas coletivas da comunidade. O artesanato feito com palha e fibras naturais preserva saberes ancestrais e contribui para a renda das famílias, enquanto a Festa da Banana Quilombola valoriza a produção local e a tradição oral fortalece continuamente a memória e a identidade quilombola ao longo das gerações.
Quilombo do Bracuí – Angra dos Reis (RJ)

Foto: Wagner Gusmão/PMAR
Surgiu no século XIX e preserva, ao longo do tempo, um forte sincretismo religioso, onde tradições de matriz africana dialogam com o catolicismo popular. A cultura local se expressa em práticas coletivas e na valorização da memória ancestral, como na Festa de Santa Rita e em projetos comunitários que fortalecem a identidade quilombola. Essas ações mantêm vivos os saberes, a resistência e os laços entre gerações.
Quilombo Paiol de Telha – Guarapuava (PR)

Créditos: Franciele Petry
Surgiu no século XIX e é organizado pela comunidade por meio da associação local, que atua na defesa do território e na valorização da identidade quilombola. A vida cotidiana é marcada pela agricultura familiar, encontros comunitários e atividades culturais e educativas, além de ações que mantêm viva a memória e os saberes transmitidos entre gerações.
Os quilombos são territórios vivos, onde memória, cultura e modos de vida seguem sendo construídos no presente. Muito além de um passado de resistência, essas comunidades continuam fortalecendo saberes ligados à terra, à coletividade e às tradições que atravessam gerações.
Ao olha-los, entendemos que eles não são apenas parte da história do país, mas também da sua atualidade. São espaços de continuidade, onde cultura e vida comunitária seguem produzindo futuro a partir da ancestralidade.
