Dinheiro e Eleições: Como os recursos chegam às candidaturas negras?

Dados mostram que os caminhos para o financiamento de campanhas são diferentes.

Você já parou para pensar em como o financiamento de campanha influencia quem a gente vê no horário eleitoral ou nas ruas?

Ao olhar para os dados, percebemos que a distruibuição de recursos nas eleições brasileiras, desde o valor total até o momento em que o dinheiro chega à conta, segue padrões diferentes dependendo do perfil da candidatura.

Essa variação ocorre em diferentes camadas:

  • Volume de Recursos: O montante total destinado ao Fundo Eleitoral e Partidário apresenta disparidades acentuadas entre candidaturas brancas e negras.
  • Autonomia Financeira: O formato do repasse impacta a gestão. Enquanto uns recebem verba em conta para investimentos estratégicos, outros recebem maior parte do apoio em materiais físicos já produzidos.
  • O Fator Tempo: O momento em que o recurso é liberado define a capacidade de planejamento. Repasses que chegam apenas na reta final da campanha alteram a competitividade de quem busca uma vaga no Legislativo.
  • Recortes de Gênero e Raça: Quando cruzamos essas informações, os dados revelam que as mulheres negras enfrentam os maiores desafios financeiros no acesso a esses recursos.

Recursos para Deputado Federal

As informações mostram uma diferença nítida. Nas eleições de 2018, as candidaturas brancas ficaram com cerca de 78% de todo o Fundo Eleitoral e Partidário destinado às campanhas para deputado federal. Em 2022, esse cenário continuou: na primeira semana de campanha, candidatos brancos receberam, me média 2,5 vezes mais verba do que os candidatos negros.

Existe uma diferença no formato do apoio.

Candidatos brancos costumam receber entre 80% e 90% da verba em dinheiro, o que dá liberdade para planejar os gastos. Já para candidatos negros, os partidos entregam mais “materiais prontos”, como adesivos e santinhos. Isso diminui a autonomia de decidir onde investir o recurso de forma estratégica.

O tempo de repasse faz toda a diferença.

Em 2018, logo no começo da campanha, os valores para homens brancos foram muito superiores:

Na 1ª semana, homens brancos receberam:

  • 4,4 vezes mais que mulheres negras
  • 3,2 vezes mais que homens negros

Na segunda semana 2ª semana:

  • 5,6 vezes mais que mulheres negras
  • 2 vezes mais que homens negros

Isso torna o planejamento da campanha muito mais desafiador.

Apoio dentro dos partidos

As doações entre candidatos seguem um padrão: brancos costumam doar o que sobra de suas verbas prioritariamente entre si. Em 2022, cerca de 60% dessas transferências foram para pessoas brancas, enquanto pessoas negras, receberam em média 40% (recursos vindos de negros e brancos)

Ao olharmos para gênero e raça, as mulheres negras são as que recebem os menores valores médios. Em 2018, elas receberam menos de 20% do valor dos homens brancos.

Na prática, isso cria barreiras financeiras maiores para levar suas ideias e projetos ao público.

Esses dados nos ajudam a entender como a distribuição de recursos molda a nossa democracia

De que forma você acha que o acesso aos recursos influencia as candidaturas que chegam até você?

Fontes: Artigo “Não é só sobre dinheiro: diferentes dimensões do financiamento eleitoral em perspectiva de gênero e raça no Brasil” (Revista Brasileira de Ciência Política) / Folha de S.Paulo.