No episódio de fevereiro, recebemos o pesquisador Pablo Nunes para discutir como a inteligência artificial e o reconhecimento facial aprofundam a desigualdade racial e a invisibilização da população negra.
SÃO PAULO, Fevereiro de 2026 – A tecnologia é frequentemente apresentada como uma ferramenta neutra, mas o que acontece quando os códigos replicam os preconceitos de quem os cria? O novo episódio do podcast “A Voz DACOR” mergulha em uma das discussões mais urgentes da atualidade: o Racismo Algorítmico.
Para discutir o tema, Gabriely Araujo recebe Pablo Nunes, Doutor em Ciência Política, coordenador do CESeC (Centro de Estudos de Segurança e Cidadania) e uma das principais vozes à frente do projeto “O Panóptico”, que monitora o uso de tecnologias de vigilância no Brasil.
A falha na máquina e a invisibilização
Durante a conversa, Pablo Nunes detalha como o racismo está entranhado na arquitetura dos sistemas digitais. Um dos pontos centrais é a falha técnica em problemas básicos, como o nível de refletância da luz na pele negra – o que afeta todo sistema de imagens na web – e o uso de bancos de dados compostos majoritariamente por pessoas brancas. Essa combinação resulta em tecnologias que, ao mesmo tempo em que invisibilizam o cidadão negro, facilitam sua criminalização.
“A gente precisa entender que esses sistemas não são objetivos. Eles são alimentados por escolhas humanas e por dados que já carregam o histórico de desigualdade do nosso país”, pontua o pesquisador durante o bate-papo.
Vigilância em massa e a falta de regulação
O episódio também traz um alerta sobre a expansão acelerada de projetos de reconhecimento facial por todo o Brasil. Pablo destaca a falta de transparência sobre o destino dos dados coletados e como essa “vigilância em massa”, muitas vezes sem regulação clara, coloca em risco direitos fundamentais.
A discussão avança para a chamada “privatização das ruas”, onde iniciativas privadas de segurança e projetos de videomonitoramento público criam uma rede de vigilância constante que impacta diretamente a liberdade de circulação, especialmente em territórios periféricos.
Tecnologia a serviço de quem?
Ao longo da entrevista, o podcast questiona a quem serve a inovação tecnológica quando ela ignora as especificidades da população negra e periférica. O debate ainda reforça a necessidade de uma governança de dados mais ética e de uma participação ativa da sociedade civil na regulação dessas ferramentas, para evitar que o futuro digital seja apenas uma repetição automatizada das opressões e discriminações do passado.
O episódio já está disponível em todas as plataformas de áudio (Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music) e no YouTube.
SERVIÇO
Podcast: A Voz DACOR
Episódio: Fevereiro 2026 – Racismo Algorítmico
Onde ouvir:
Instagram: @instituto_dacor
