No coração do Julho das Pretas, um mês dedicado a celebrar e dar visibilidade à luta da mulher negra na América Latina e no Caribe, olhamos para o futuro. Um futuro que será marcado por um dos eventos mais importantes para o ativismo no Brasil: a II Marcha Nacional das Mulheres Negras, que acontecerá em 2025.
Para aprofundar nesse tema tão potente, o nosso podcast A Voz DACOR dedicou o episódio “Mulheres em Marcha” a uma conversa transformadora. Recebemos duas gigantes que estão na linha de frente da pesquisa e da mobilização, e agora compartilhamos os principais insights desse diálogo com você.
Vozes da Luta: Conheça Nossas Convidadas
Para guiar essa conversa, contamos com a sabedoria e a experiência de duas mulheres inspiradoras:
- Giselle dos Anjos Santos: Historiadora, ativista e pesquisadora do CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades). Com doutorado em História Social pela USP, Giselle é uma referência nos estudos sobre interseccionalidade de gênero e raça na América Latina e autora do livro “Somos Todas Rainhas”.
- Vinólia de Jesus Andrade Silva Costa: Ativista histórica do movimento de mulheres negras, coordenadora do Grupo de Mulheres Negras “Mãe Andresa” e coordenadora executiva da Articulação das Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB). Atualmente, Vinólia é uma das lideranças na coordenação da II Marcha das Mulheres Negras de 2025.
O Legado de 2015 e a Convocatória para a Marcha de 2025
Em 2015, mais de 100 mil mulheres negras marcharam em Brasília contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver. Esse ato não foi apenas um protesto; foi um marco que redefiniu a organização política das mulheres negras no Brasil.
Dez anos depois, no dia 25 de novembro de 2025, elas marcharão novamente. A II Marcha Nacional das Mulheres Negras já está sendo articulada em todo o país, com o objetivo de pautar a reparação como política de Estado e fortalecer o conceito de Bem Viver.
No episódio, Vinólia Costa compartilha como a preparação, que se intensifica no Julho das Pretas, funciona como uma grande convocação nacional, unindo mulheres de diferentes origens e territórios em torno de um objetivo comum.
Afinal, o que é “Bem Viver”?
As mulheres negras representam o maior grupo populacional do Brasil (mais de 60 milhões), mas recebem a menor fatia da renda nacional (apenas 10,7%). Diante dessa e de outras inúmeras desigualdades, a luta vai muito além da sobrevivência. É aqui que entra o conceito de “Bem Viver”.
Como nos lembra a filósofa Sueli Carneiro:
“Nós, mulheres negras, somos a vanguarda do movimento feminista nesse país (…) Doravante, nada mais será possível sem nós.”
O Bem Viver, discutido por Giselle dos Anjos em nossa conversa, é uma reivindicação por uma vida plena. Não se trata apenas de combater a violência e o racismo, mas de garantir dignidade, saúde, alegria, acesso à cultura, à terra e a um futuro seguro para si e para os seus. É um projeto de sociedade onde a vida das mulheres negras de fato importa em todas as suas dimensões.
Como Participar e Apoiar a Marcha das Mulheres Negras?
Um dos pontos altos do nosso bate-papo foi a orientação sobre como as pessoas podem se engajar e fortalecer essa mobilização histórica. Se você quer fazer parte, aqui estão alguns caminhos:
- Acompanhe os canais oficiais: A principal fonte de informação é o site oficial da marcha. Acesse marchadasmulheresnegras.com.br para ficar por dentro das novidades.
- Conecte-se com coletivos locais: A marcha está sendo construída em rede. Procure por organizações e movimentos de mulheres negras na sua cidade ou estado.
- Promova o diálogo: Compartilhe informações, organize rodas de conversa e ouça as vozes das mulheres negras.
- Apoie financeiramente: Fique de olho nas campanhas de arrecadação que apoiam a ida de mulheres de todo o Brasil para Brasília em 2025.
Ouça a Conversa Completa no Podcast A Voz DACOR!
Para um mergulho profundo nesta conversa sobre medo, coragem, articulação em rede e o poder transformador do movimento de mulheres negras, ouça o episódio completo “Mulheres em Marcha”.
Disponível no Spotify, Amazon Music, Apple Podcasts e YouTube.