Os quilombos fazem parte da história e do presente do Brasil. Espalhadas por diferentes regiões do país, as comunidades quilombolas preservam memórias, conhecimentos, manifestações culturais e formas de organização construídas e transmitidas ao longo de gerações.
Embora a formação de muitos quilombos esteja relacionada à resistência de pessoas negras à escravização, as trajetórias dessas comunidades são diversas. Fugidas, libertas ou estabelecidas em terras adquiridas e ocupadas por seus antepassados, populações negras construíram territórios onde desenvolveram relações próprias com a terra e fortaleceram vínculos familiares e comunitários.
Hoje, conhecer os quilombos também significa compreender como essas histórias permanecem vivas. Nesta publicação, percorremos diferentes regiões do Brasil para conhecer cinco comunidades e algumas das trajetórias que marcam seus territórios.
Quilombo Ilha de São Vicente, no Tocantins
Localizado em Araguatins, às margens do Rio Araguaia, na região do Bico do Papagaio, o Quilombo Ilha de São Vicente tem uma história que remonta a 1888. Gerações de famílias quilombolas construíram seus modos de vida nesse território e preservaram seus vínculos com a região.
A trajetória da comunidade também é marcada pela mobilização pelo reconhecimento de seus direitos territoriais. Em 2023, Ilha de São Vicente tornou-se o primeiro território quilombola titulado do Tocantins, um marco para a comunidade e para a população quilombola do estado.
Quilombo Mimbó, no Piauí
Em Amarante, no Piauí, a memória preservada pelos moradores do Quilombo Mimbó conta que a comunidade teve início com três casais negros que fugiam da escravidão e encontraram naquele território a possibilidade de construir uma vida em liberdade.
Essa história continua presente nas práticas transmitidas entre gerações. Religiosidade, agricultura familiar, artesanato e manifestações culturais fazem parte da vida da comunidade. Entre elas está o Pagode do Mimbó, uma das expressões culturais associadas ao território.
Comunidade Quilombola do Cedro, em Goiás
A história da Comunidade Quilombola do Cedro, em Mineiros, Goiás, remonta a 1885. Sua trajetória está ligada a Francisco Antônio de Morais, conhecido como Chico Moleque, que conquistou a própria liberdade e a de sua família e posteriormente adquiriu terras na região.
Entre os conhecimentos preservados pela comunidade estão os saberes sobre as plantas medicinais do Cerrado, transmitidos entre gerações e que se tornaram uma importante referência de Cedro.
Em 2024, o Incra reconheceu oficialmente o Território Quilombola Cedro, representando mais um passo no processo de garantia dos direitos territoriais da comunidade.
Comunidade Quilombola dos Arturos, em Minas Gerais
Em Contagem, Minas Gerais, a Comunidade Quilombola dos Arturos possui mais de um século de história. Sua formação está relacionada aos descendentes de Arthur Camilo Silvério e Carmelinda Maria da Silva, descendentes de africanos escravizados.
Ao longo das gerações, a comunidade mantém vivos conhecimentos e manifestações culturais como o Congado, as Guardas de Congo e Moçambique, a Folia de Reis e a benzeção.
A importância desse patrimônio recebeu reconhecimento oficial em 2014, quando os Arturos se tornaram a primeira comunidade tradicional registrada como Patrimônio Cultural Imaterial de Minas Gerais na categoria de lugares.
Quilombo Serra do Apon, no Paraná
No município de Castro, Paraná, famílias negras constroem há cerca de 250 anos a história do Quilombo Serra do Apon. A comunidade é formada por descendentes de pessoas escravizadas na Fazenda Capão Alto que, de acordo com a memória preservada pelos moradores, deixaram aquele território por não aceitarem a escravidão.
Atualmente, quatro núcleos compõem a comunidade, mantendo uma história que atravessa gerações e demonstra como território e memória permanecem profundamente relacionados na experiência das comunidades quilombolas.
Territórios que ajudam a contar a história do Brasil
Ilha de São Vicente, Mimbó, Cedro, Arturos e Serra do Apon possuem origens, manifestações culturais e relações territoriais próprias. Suas trajetórias ajudam a mostrar por que não existe uma única história capaz de explicar a formação e a experiência das comunidades quilombolas brasileiras.
Conhecer esses territórios é também reconhecer a presença e a contribuição das populações quilombolas na formação histórica, social e cultural do país.
Já apresentamos outros quilombos de diferentes regiões do Brasil em conteúdos anteriores. Continue acompanhando o Instituto DACOR para conhecer novas comunidades, suas histórias, seus saberes e suas relações com o território.
