As candidaturas negras cresceram em 2026.
Mas isso significa mais representação?
Nas eleições de 2026, 49,9% das pessoas candidatas se declararam pretas ou pardas. O percentual amplia a presença de pessoas negras na corrida eleitoral e aproxima a composição racial das candidaturas da população brasileira. Mas esse recorte, sozinho, não conta toda a história.
As mulheres são 52,84% do eleitorado brasileiro. Mesmo assim, representam 34,8% das candidaturas em 2026.
Ser maioria entre as pessoas aptas a votar não se traduz, na mesma proporção, em presença entre quem concorre aos cargos eletivos.
Entre todas as candidaturas de 2026, 3.731 são de mulheres pretas ou pardas. Elas representam 52,3% das candidaturas femininas, mas apenas 18,2% do total de pessoas candidatas.
Ao mesmo tempo, uma análise do Senado Federal, baseada em dados do TSE, aponta que o perfil mais representado no eleitorado brasileiro é o de uma mulher parda. Os dados mostram por que olhar apenas para raça ou apenas para gênero não é suficiente. Ter mais pessoas negras registradas como candidatas é um passo importante. Mas chegar à urna não garante as mesmas condições de participação.
Uma campanha competitiva envolve recursos, estrutura, visibilidade e redes de apoio. Esses fatores influenciam quem consegue avançar da candidatura para a ocupação efetiva dos cargos. Em 2026, um diagnóstico do Tribunal Superior Eleitoral identificou um descompasso estrutural entre o crescimento das candidaturas negras e sua transformação em representação política efetiva. Uma candidatura não se sustenta apenas com o registro eleitoral. A campanha também exige acesso a: Financiamento, estrutura, redes de apoio, visibilidade e participação nas decisões
Estudos sobre a presença de mulheres negras na política apontam que as desigualdades de raça e gênero interferem nas condições de acesso e permanência na vida pública. Por isso, compreender a participação política também significa observar os obstáculos que aparecem antes, durante e depois das eleições.
Nos últimos anos, a Justiça Eleitoral criou mecanismos para ampliar a participação política de grupos historicamente sub-representados. Entre eles estão regras relacionadas à distribuição de recursos eleitorais e medidas voltadas à participação de mulheres e pessoas negras. Essas iniciativas ampliam as condições de acesso, mas não eliminam, por si só, as desigualdades que atravessam a política. O desafio está também em garantir condições mais equilibradas para que diferentes grupos possam se candidatar, fazer campanha e conquistar votos.
As eleições de 2026 trazem avanços na presença de pessoas negras entre as candidaturas. Mas acompanhar esse processo exige ir além da quantidade de nomes registrados. É preciso perguntar:
Quem consegue se candidatar?
Quem dispõe de condições para fazer uma campanha competitiva?
Quem chega ao resultado das urnas?
E quem permanece sub-representado nos lugares onde as decisões são tomadas?
Observar raça e gênero em conjunto amplia a compreensão sobre os avanços e os limites da participação política no Brasil. Porque democracia também se mede pela possibilidade de diferentes grupos participarem, disputarem e ocuparem os lugares de decisão.
Fontes:
TSE, UOL, G1 e Senado Federal. Dados sobre as candidaturas femininas no UOL
Leia O rosto da democracia brasileira, do Senado Federal Dados do eleitorado no TSE
Leia a análise do UOL
G1, com dados do TSE – Leia a matéria do G1
TSE – Estatísticas e informações sobre representatividade no TSE
Biblioteca Digital da Justiça Eleitoral / TSE – Leia o estudo sobre a participação política de mulheres negras
TSE – Leia o diagnóstico do TSE sobre representatividade racial
