A saúde mental no Brasil não pode ser analisada sem considerar as desigualdades raciais. Dados mostram que a população negra enfrenta mais barreiras no acesso ao cuidado, maior exposição ao sofrimento emocional e impactos diretos do racismo no cotidiano.
Essas desigualdades aparecem de várias formas: no subdiagnóstico de transtornos, na dificuldade de acesso a serviços de saúde, na sobrecarga vivida por jovens e mulheres negras e na exposição constante à discriminação. Tudo isso afeta o bem-estar emocional e a qualidade de vida.
Um estudo do Check-up de Bem-Estar de 2025, Vidalink, revela que:
42% dos jovens negros não conseguem cuidar da saúde mental
Entre jovens pretos e pardos de 18 a 28 anos, quase metade relata não conseguir acessar práticas ou serviços de cuidado em saúde mental, seja por custo, falta de acesso ou ausência de acolhimento.
82,7% das mortes por suicídio no Nordeste são de pessoas negras
Segundo o Observatório de Suicídio e Raça (Obsur), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), entre 2019 e 2022, 82,7% dos óbitos por suicídio na região Nordeste ocorreram entre pessoas negras. Isso ocorre em todas as faixas etárias e em ambos os sexos, com maior concentração entre homens negros adultos (30-59 anos) — grupo que responde pela maioria dos casos.
Disparidades por estado e fatores sociais
Percentual de violência autoprovocada de pessoas negras:
Maranhão: 86,69
Paraíba: 83,42%
Pernambuco: 80,7%
Alagoas: 79,37%
Piauí: 78,68%
Ceará: 78%
Bahia: 73,97%
Sergipe: 72,02%
Rio Grande do Norte: 58,81%
Esses percentuais mostram que, mesmo em estados com população negra majoritária, a vulnerabilidade é ampliada por desigualdades estruturais, como racismo cotidiano, precariedade social e falta de políticas eficazes de saúde mental.
Fonte: Doenças e Agravos na População por Raça/Cor 2024 | Ministério da Saúde
Um estudo nacional sobre experiências de discriminação cotidiana, do Ministério da Igualdade Racial (MIR), em parceria com a Vital Strategies e a Umane, revelou que:
84% das pessoas pretas no Brasil afirmam já ter sofrido discriminação racial.
Mulheres pretas são o grupo mais afetado: 72% relatam sofrer múltiplas formas de discriminação.
A EXPOSIÇÃO CONSTANTE AO RACISMO AFETA DIRETAMENTE O BEM-ESTAR EMOCIONAL, AUMENTANDO RISCOS
DE ANSIEDADE, ESTRESSE CRÔNICO E DEPRESSÃO.
Para saber mais:
Podcast A Voz DACOR – Saúde Mental da População Negra
Com a participação de Lucinéia Garcia, psicóloga educacional e social, especialista em Adolescência, e de Nádia Meireles Moreira, psicóloga e especialista em Saúde Mental, o episódio aborda a saúde mental da população negra, reunindo experiências na área clínica, educacional, na promoção da inteligência emocional e na atuação em políticas e articulações voltadas à igualdade racial.
Se você ou alguém próximo estiver passando por um momento difícil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza atendimento 24h gratuito e sigiloso pelo telefone 188 ou pelo site.
Ligue 188 ou acesse www.cvv.org.br
