Um Na Real Especial sobre quem faz o Carnaval acontecer.
De Olinda a Uruguaiana, passando pelo coração de São Paulo, conheça quem são as mentes e os corações que ajudam a construir o Carnaval no Brasil.
Neste especial, mergulhamos nas histórias de quatro personalidades que mantêm viva a chama da nossa maior manifestação popular.
Hermes Neto: A Alma de Olinda e o Fenômeno da Pitombeira
A tradição da Pitombeira dos Quatro Cantos, em Olinda, PE, ganhou o mundo recentemente ao aparecer no filme Agente Secreto, com Wagner Moura vestindo o icônico amarelo e preto da agremiação. Mas, para Hermes Neto, a Pitombeira nunca foi apenas um hit: é herança.

Hermes Neto. Presidente da Troça Pitombeira dos Quatro Cantos
Neto de ícones como Hermes Cristo, “Herminho”, hoje, aos 43 anos, é presidente da agremiação, equilibrando o profissionalismo com o respeito ao passado.
“A mulher que fez o hino de Vassourinhas era uma mulher negra. É um símbolo de importância do frevo que vem da capoeira, que capoeira vem dos negros, né? Então, alguns passos vêm da capoeira… Então, tem importância enorme dentro do frevo.”
Veja a entrevista completa do Herminho no nosso Instagram!
Mafalda Pequenino: O Tambor como Resistência Feminina
No asfalto de São Paulo, o Ilú Oba De Min não apenas abre o Carnaval; ele realiza um “aquilombamento” urbano. À frente da direção artística está Mafalda Pequenino, uma artista multifacetada que encontrou na arte negra seu caminho de consciência.

Mafalda Pequenino. Atriz, produtora, escritora, arte-educadora, dançarina, pernalta, mestre de cerimônia e diretora artística do bloco afro Ilú Oba De Min.
O Ilú hoje reúne 400 mulheres negras sob o som dos tambores, em um espaço historicamente masculino que Mafalda ajudou a transformar em um território seguro de pertencimento e educação racial.
“O Carnaval é um ato revolucionário. É um lugar de expressão, um lugar político onde você pode colocar todo o seu pensamento. Tem que ser frisado que o carnaval é uma cultura negra, uma cultura afro-brasileira.”
A história completa te espera no nosso feed!
Jorginho Saracura: A Voz da Velha Guarda no Combate ao Racismo
Se o samba é uma escola, Jorge Luis de Oliveira, o Jorginho Saracura, é um de seus professores mais ilustres. Criado na periferia de São Paulo, no Parque Peruche, sua trajetória funde a pulsação do bumbo com o rigor da defesa dos direitos humanos.

Jorginho Saracura. Coordenador do SOS Racismo na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, membro da Velha Guarda da Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Vai-Vai e gestor ambiental.
Para Jorginho, o Carnaval dentro do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Vai-Vai trouxe o norte: disciplina e responsabilidade. Valores que ele aplica hoje no combate ao racismo e na gestão ambiental. Do departamento de harmonia à Assembleia Legislativa, sua história prova que a folia e a cidadania caminham sempre de mãos dadas.
“Sempre um grande prazer a escola ou as escolas se apresentarem nos espaços urbanos, né? A nossa cultura popular brasileira, é a forma que nós temos de inclusive fazer alguns esclarecimentos através de enredos que as escolas escolhem.”
Veja o post completo sobre o Jorginho!
Jorge Quirino: Uma Vida de Samba e Combate ao Racismo
Em Uruguaiana, no extremo sul do Brasil, o Carnaval tem data própria e uma identidade forjada na resistência. À frente da S.R.C. Os Rouxinóis, Jorge Quirino é o rosto de uma festa que não se encerra na quarta-feira de cinzas. Sua história com o samba começou cedo, aos oito anos, percorrendo todos os cantos da escola: do pulsar da bateria ao suor do barracão, até assumir a responsabilidade da presidência.

Jorge Quirino. Babalorixá, presidente dos Rouxinóis e coordenador na Copir – Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial de Uruguaiana
Como Babalorixá, Jorge entende que o Carnaval é mais do que um espetáculo visual; é uma extensão da vivência de terreiro e da valorização das raízes africanas.
“Pensando no futuro, eu espero que através dessa cultura popular grandes nomes, artesãos, carnavalescos se destaquem casa vez mais. Acho importante que esta participação da comunidade negra em vários setores de uma escola de samba.”
