O que é blackface e por que é importante combatê-lo

Blackface é o ato no qual pessoas pintam a pele de tinta escura a fim de imitar e estereotipar traços de pessoas negras de forma exagerada e com conotação jocosa.

Origem

A prática surge nos EUA no século 19, em apresentações teatrais de atores que se coloriam com o carvão de cortiça para representar personagens afro-americanos de forma exagerada. Isso surgiu numa época em que pessoas negras nem eram autorizados a subir nos palcos e atuar, por causa da cor da pele.

Por que é racismo?

O blackface é considerado uma forma de racismo recreativo, ou seja, uso estratégico do humor hostil, do humor racista, reforçando esteriótipos sobre a população negra.

Em sua origem, as interpretações feitas com uso de blackface em shows e programas populares eram normalmente imprecisas e profundamente ofensivas.

A prática não se restringiu aos palcos, já foi registrada em seu uso por pessoas públicas.

“Não é inocente a construção dessa imagem, ela tem consequência. Da destruição dos corpos não normalizados, da segregação desses corpos e da negação da cidadania. Essa estratégia foi utilizada em todas sociedades abertamente racistas que brutalizaram as populações não brancas”. Juarez Xavier, em entrevista ao G1 Bauru

No Brasil

No contexto brasileiro, o blackface esteve presente na dramaturgia e no entretenimento e persistiu na televisão por décadas.

Exemplos incluem a novela “A Cabana do Pai Tomás” (1969), na TV Globo, no qual o ator principal, Sérgio Cardoso, pintava o rosto para interpretar o protagonista negro. Outros casos foram performances de comediantes como Chico Anysio e no programa “Faustão”.

Em 1944, o Teatro Experimental do Negro (TEN), fundado por Abdias do Nascimento, já denunciava a prática, nos palcos brasileiros, que, mesmo décadas depois, ainda reservavam o protagonismo para pessoas brancas.