No calendário afro-brasileiro, o Dia de Iemanjá representa muito mais que uma celebração religiosa: é um marco de ancestralidade, memória e resistência ao racismo religioso.
De origem iorubá, a devoção à orixá teve início entre o povo Egbá, na região que hoje corresponde à Nigéria, e chegou ao Brasil com os africanos escravizados. Seu nome, Yèyé omo ejá — “mãe cujos filhos são peixes” — expressa sua ligação com o cuidado, a fertilidade e a proteção. Cultuada no candomblé, na umbanda e em outras religiões de matriz africana, Iemanjá ocupa lugar central como divindade protetora.
A tradição do 2 de fevereiro em Salvador se fortaleceu a partir da década de 1920, quando pescadores do bairro do Rio Vermelho realizaram oferendas em busca de proteção e pesca abundante. Com o passar dos anos, a celebração se consolidou e se expandiu para outras datas e localidades, reunindo milhares de pessoas em cidades como Salvador e Rio de Janeiro, em procissões, oferendas à beira-mar e rituais marcados pela cor branca.
Neste dia simbólico, o DACOR esteve presente na tradicional celebração de Iemanjá em Salvador, no bairro do Rio Vermelho, representado por Maiana Lima e Nina Oliveira, que vivenciaram esse momento de fé, cultura e conexão com a ancestralidade.










“Todas as vezes que eu celebro essa festa, todas as vezes que eu coloco os pés naquele lugar, que eu me conecto com o mar, eu sempre volto para uma memória de infância muito importante, uma memória ancestral, que representa toda a minha conexão com essa iabá, senhora das cabeças. Quando meu pai pegou meu umbigo, hoje eu entendo que não é descartar, mas é despachar no mar, e naquele momento a minha conexão com Iemanjá fica mais forte, mais vital.” – relata Maiana, que é soteropolitana e desde a infância acompanha a festa.
Já Nina Oliveira, que esteve pela primeira vez na festa em Salvador, conta sobre a emoção de estar no local: “Foi uma sensação mágica, ver centenas de pessoas reunidas para saudar e homenagear Iemanjá. O sentimento de proteção, de ver os povos reunidos, o som dos tambores ressoando, cada pessoa fazendo os seus pedidos e pedindo benção… foi a realização de um sonho, estar em Salvador, nesse dia tão incrível”.
A celebração de Iemanjá reafirma a força das tradições afro-brasileiras e a importância de preservar a fé, a memória e o respeito à diversidade religiosa.
