O Salto da Representatividade
A presença de pesquisadores negros na liderança da ciência brasileira vem crescendo de forma significativa nas últimas duas décadas. Em 2000, apenas 8,1% dos grupos de pesquisa eram liderados por pessoas negras (pretos e pardos). Hoje, esse número já chega a 22,6%, segundo levantamento do Ipea e do IFNMG com base em dados do CNPq.
Atualmente, dos cerca de 66 mil grupos de pesquisa existentes no país, quase 15 mil têm liderança negra.
Apesar do avanço, a ciência brasileira ainda está distante de refletir a demografia nacional. De acordo com o IBGE (2022), a população negra representa 55,5% dos brasileiros — ou seja, mais da metade do país.
Enquanto isso, a proporção de lideranças negras na ciência segue bem abaixo desse patamar.
Evolução em relacão ao total, de 2000 a 2023


Onde a População Negra é Maioria, a Liderança na Ciência é Exceção
O estudo mostra que a desigualdade se acentua quando analisamos a distribuição por regiões:
- Norte – 76% da população é negra, mas apenas 44,4% lideram grupos de pesquisa.
- Nordeste – 72,6% da população vs. 37,7% de líderes.
- Centro-Oeste – 61,6% da população vs. 24,2% de líderes.
- Sudeste – 49,3% da população vs. 15,1% de líderes.
- Sul – 26,7% da população vs. 7,8% de líderes.
Esses números revelam que, mesmo em regiões onde a população negra é expressivamente majoritária, sua presença no comando da produção científica permanece a exceção, não a regra.
Um desafio para a ciência brasileira
O crescimento da representatividade negra na pesquisa é inegável, mas ainda insuficiente diante da realidade demográfica do Brasil. A disparidade regional e nacional aponta para a necessidade de políticas de incentivo, inclusão e permanência de pesquisadores negros em posições de liderança acadêmica.
Se o país é majoritariamente negro, por que sua ciência ainda não reflete essa realidade?