A escola é frequentemente apresentada como um espaço de proteção, aprendizado e desenvolvimento. No entanto, diferentes formas de violência ainda fazem parte da rotina escolar de muitas meninas no Brasil. Dados da pesquisa “Livres para sonhar? Percepções da comunidade escolar sobre violência contra meninas” apontam que racismo, sexualização e constrangimentos continuam presentes no cotidiano das estudantes.
O levantamento ouviu 1.383 professores de todo o país para compreender como a violência de gênero aparece no ambiente escolar. Entre os docentes participantes, 52% afirmaram já ter presenciado tratamento desigual contra meninas negras em atividades pedagógicas, o que indica que o racismo também pode se manifestar dentro da dinâmica escolar.
Outros episódios relatados envolvem a sexualização de alunas e comentários sobre aparência. Segundo os professores entrevistados, 70% relataram situações de sexualização de meninas, 68% disseram ter presenciado comentários constrangedores e 42% afirmaram ter observado toques não consentidos. Esses comportamentos revelam formas de violência que muitas vezes são naturalizadas no cotidiano das escolas.
A pesquisa também aponta que a violência pode ocorrer com frequência. Entre os professores ouvidos, 31% afirmam que agressões acontecem quase diariamente, enquanto 16% dizem que ocorrem semanalmente. Além disso, 76% já presenciaram casos de bullying envolvendo estudantes.
O impacto dessas situações não se limita às relações entre alunos. Para 86% dos professores, a violência de gênero interfere no processo de aprendizagem, e 71% afirmam já ter observado esse efeito na prática. Sentimentos como medo, constrangimento ou sensação de não pertencimento podem reduzir a participação em sala de aula e afetar a trajetória escolar das estudantes.
Outro ponto destacado pela pesquisa é o preparo dos educadores para lidar com o tema. Apesar de reconhecerem a importância da discussão, 29% dos professores afirmam se sentir pouco ou nada preparados para enfrentar situações de violência de gênero na escola, o que indica a necessidade de ampliar iniciativas de formação e debate dentro do sistema educacional.
Fonte: Pesquisa “Livres para sonhar? Percepções da comunidade escolar sobre violência contra meninas”.
