Hoje é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, uma data para refletirmos sobre o valor da liberdade de crença e de culto em um país plural como o Brasil.
A data marca a morte de Mãe Gilda de Ogum, yalorixá do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, na Bahia, e símbolo da luta contra a violência religiosa no Brasil. Mais do que uma homenagem, o 21 de janeiro existe para educar, conscientizar e mobilizar a sociedade, lembrando que respeito à diversidade religiosa é essencial para uma democracia justa e plural.
A pesquisa “Respeite o meu terreiro”, realizada em 2025 pela Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde (Renafro) e o terreiro Ilê Omolu Oxum, em parceria com o Ministério de Direitos Humanos e Cidadania, com 511 terreiros brasileiros, aponta que 80% já sofreram racismo religioso, com relatos de agressões verbais, xingamentos, ataques diretos e abordagem policial discriminatória ao longo dos últimos dois anos.
Além disso, 76% das casas religiosas foram alvo de algum tipo de violência, incluindo ameaças, depredações ou destruição de espaços sagrados, mostrando que a intolerância muitas vezes se manifesta de forma física e profunda.
O racismo religioso não se limita ao mundo físico: 52% dos terreiros também sofreram assédio online, demonstrando como o preconceito se espalha também nas redes sociais.
Infelizmente, menos de 3 em cada 10 vítimas conseguiram registrar boletim de ocorrência, o que evidencia desafios no acesso à proteção e à justiça.
Neste dia, mais do que lembrar, precisamos combater ativamente a intolerância religiosa: desconstruir estigmas, respeitar a diversidade espiritual e reafirmar que crença e fé não são motivo para discriminação — mas sim para diálogo, convivência e respeito mútuo.
